quarta-feira, 13 de abril de 2022

Louis Van Gaal, o genial treinador que quer que a FIFA desenvolva o futebol

De volta ao comando da Seleção Holandesa e multicampeão por onde passou, ele assumiu postura agressiva contra a Copa no Catar: "É sobre dinheiro"

Por Leonardo Miranda

Louis van Gaal não está para brincadeiras. Rico, vencedor e com 70 anos, ele topou quebrar a aposentadoria para uma missão especial: tirar a Holanda da maior crise vivida na história e voltar a disputar uma Copa.

Missão concluída ainda na 10ª rodada, com vitória contra a Noruega. Mas ele só topou sair da aposentadoria para contribuir com o desenvolvimento do futebol holandês como um todo, o que implica em voltar ao Mundial, mas também a repensar categorias de base e o jogo como um todo. Por isso, ele não se escondeu e criticou duramente a realização da Copa do Mundo no Catar nesta semana, em coletiva antes do confronto contra a Dinamarca.

Eu acho ridículo que a Copa do Mundo seja lá. Estamos jogando em um país onde a Fifa diz que quer desenvolver o futebol. Isso é besteira, mas não importa. É sobre dinheiro. Sobre interesses comerciais. Isso importa para a Fifa. Por que você acha que eu não estou em nenhum comitê da Fifa ou da Uefa com a minha experiência? Porque eu sempre fui contra esses tipos de organizações.

 

                        Louis van Gaal, atual treinador da Holanda — Foto: Reprodução

Quem perde é a FIFA e a UEFA. Treinador holandês que mais venceu na história do país, Louis van Gaal se caracterizou por ser um exímio construtor de equipes. Um desenvolvedor de uma cultura de jogo e da prática esportiva. A personalidade explosiva e rígida faz muitos torcerem o nariz. Alguns brasileiros o odeiam.

Ele é talvez o único a entender e tirar o melhor de todas as escolas que dominaram o futebol holandês nos últimos anos e influenciaram treinadores que vão de Klopp, Guardiola, Mourinho, Tuchel - o que coloca basicamente qualquer técnico, de Jorge Jesus a Abel Ferreira, de Felipão a Luxemburgo, no balaio. É impossível não aprender com van Gaal.


Ajax, o principal trabalho de construção de uma filosofia de jogo

O período de 1991 a 1996 marca o último momento de domínio total do futebol holandês no âmbito de clubes. Foi quando Louis treinou o Ajax, onde chegou como assistente em 1987. Ele construiu um time quase que do zero, usando categorias de base, num 3-4-3 que tinha como grande princípio o controle da partida a partir da bola. Por consequência:

  • Quando o time perdia a bola, todo mundo deveria pressionar e sufocar para recuperar a posse o mais rápido possível
  • Quando o time tinha a bola, todos - do goleiro ao centroavante - deveriam realizar ações para abrir espaço na defesa adversária
  • E se não tinha espaço? Toca para trás. Mas não por marasmo. Toca para manter a bola como uma forma de continuar controlando o jogo.

                                        Van Gaal fez trabalho fenomenal no Ajax — Foto: Reprodução

São os mesmos princípios de Johan Cruyff, rival no Barcelona na época. Apesar de inimigos declarados, eles colocavam a mesma visão de jogo (e da vida) em seus times. Se impor uma filosofia já é difícil, Gaal conseguiu ganhando títulos, vencendo o poderoso Milan na Liga dos Campeões. Desenvolveu jogadores como Seedorf, Patrick Kluivert, Frank de Boer, Edgar Davids e Edvin van der Sar. Reformulou as categorias de base do clube, criou regras de treinamento, nutrição, fisiologia. Em suma: deu retorno esportivo, financeiro, histórico.


A influência de Leo Beenhakker e a importância de entender a oposição

Quando van Gaal chegou ao Ajax, o treinador da equipe principal era Leo Beenhakker. É um nome pouco conhecido, mas de uma importância fundamental na mente de Gaal. Leo pegou o Ajax após a saída de Cruyff e foi ao Real Zaragoza em crise. Ele acreditava que nem todo mundo conseguiria praticar o futebol bonito e vistoso de Cruyff. Para os menos afortunados e pobres, o melhor era se defender bem, atacar pouco e colocar a vitória em primeiro lugar. Não se importava em ter a bola. Queria controlar o espaço.

Beenhakker chocou a ideia holandesa da prática do futebol bonito, onde o "bom futebol" idealizado por Cruyff fazia muitos treinadores insistirem que ganhar era menos importante que ganhar bem. O Ajax que venceu o Holandês em 1991 teve o pior ataque da Eredivise desde 1976-77, mas ostentou a melhor defesa: 23 gols sofridos. Quando venceu o Campeonato Holandês novamente, lá em 1999 com o Feyenoord, Beenhakker foi claro: seu estilo de futebol era prático.

Como genial que é, van Gaal sabe que uma das piores coisas para um ser humano é o radicalismo. Ele não seguia fielmente a filosofia de Cruyff. Nem a de Beenhakker. Ele sabia que filosofias e jeitos de jogar são apenas dois lados da mesma moeda. Duas formas de ver e sentir o mesmo jogo. Há momentos que a oposição quer a mesma coisa que você, apenas por um meio diferente.

Um grande exemplo disso é seu trabalho no AZ Alkmaar: com um orçamento muito mais baixo que rivais, van Gaal topou o desafio e montou um 4-4-2 prático e sólido, que controlava espaços na defesa e atacava com velocidade. No Bayern, ele chegou para mudar o estilo de jogo que vinha com Felix Magath. O clube precisava de uma reconstrução que Klinsmann falhou em fazer.

Seu estilo tinha um pouco de tudo: controle da bola e do espaço, mudanças de acordo com o adversário. Ele mudou a posição de Schweinsteiger, colocando-o mais atrás, com mais campo. Promoveu jovens como Contento, David Alaba, Holger Badstuber and Thomas Muller. Melhorou o jogo de Robben e levou um time desacreditado a uma final de Liga dos Campeões.


    Louis van Gaal e José Mourinho duelaram na final da Liga dos Campeões de 2009-10 — Foto: Reprodução

No Barcelona, a preocupação com o futuro e a formação de uma metodologia

Mesmo que seja inflexível em cobranças, o que assusta Rivaldo até hoje, van Gaal tem outra qualidade que supera o futebol: ele se adapta ao meio. E tenta contribuir com ele. Quando chegou ao Barcelona, Gaal viu que o clube amava Cruyff, mas não tinha um documento, um livro, com treinamentos e bases do que ele fez. Era muito papo, romantismo, mas pouco prático.

A ideia dele foi simples. Juntou profissionais da base e principalmente Paco Seirulo, estudioso científico do futebol. Juntos, eles pensaram em treinos, explicações e exemplos para que outros treinadores pudessem fazer o mesmo que Cruyff. Isso se chama metodologia. Um dos pontos de partida da metodologia foi o diagrama de Voronói: a ideia não era ter a bola? E se os jogadores ao redor da bola se afastam constantemente no espaço? O time jamais vai perder a posse. Daí nasceu o rondo, ou bobinho, treinamento que é básico em qualquer time no mundo hoje.


                Louis van Gaal orienta um jovem Xavi, com apenas 18 anos. — Foto: Leonardo Miranda

Apesar de uma segunda passagem ruim, van Gaal mudou o futebol no mundo nos anos do Barcelona. Ele foi o responsável por promover um tal de Xavi Hernandéz ao time principal. Quem é técnico do Barcelona hoje mesmo? Seu auxiliar era um certo português ávido por conhecimento, que acreditava em coisas diferentes, mas assim como ele, queria entender muito bem a oposição. Um tal de José Mourinho.

Na Holanda, o respeito com as raízes e o passado

Depois do Bayern, van Gaal foi apontado para uma segunda passagem pela Holanda. Ele tinha formado o que acredita, o mesmo 4-3-3 com as bases do Jogo de Posição. Mas a perda de Strootman logo antes do Mundial no Brasil o obrigou a ser flexível como nunca antes. Aí vem outra lição humana: os problemas chegam, estão aí, e o que podemos fazer é solucioná-los.

Com poucos treinos e muita mobilização, van Gaal resgatou o que chamou nas coletivas de "Old Dutch System", uma filosofia de jogo anterior aos tempos de Cruyff. Ela pregava marcação individual bem fechada e toda a criatividade para o meia central e dois atacantes de área. Robben jogou mais avançado, Van Persie fez gols e a Holanda protagonizou o Baile de Salvador na Espanha com o brilhantismo do técnico.

                                            Louis van Gaal jogo Holanda x Brasil — Foto: EFE

É impossível viver apenas de sucessos. Van Gaal foi mal no Manchester United, mesmo sendo um nome tido como certo para resgatar a cultura de um clube após a traumática saída de Ferguson. Comprou briga com Rooney, apostou num sistema muito estático e não entendeu o perfil do elenco. Por lá passaram Giggs, Mourinho, Solskjaer e Rangnick. Só van Gaal e Mourinho venceram títulos.

Nos outros clubes, Gaal sempre teve créditos na formação de uma cultura. No Ajax, ele foi diretor esportivo e é um dos responsáveis pela formação de uma categoria de base que produz jogadores de destaque. Phillip Lahm já disse que ele é o "pai" do Bayern dominante que o conhecemos hoje. No Barcelona, é só olhar pro técnico atual. Quem o formou?

Agora, van Gaal quer que a FIFA faça o mesmo que sua vasta e rica experiência provou que é o mais humano a se fazer: respeitar o passado, viver o presente e se preparar para o futuro.

O futebol ganha com um genial treinador de volta ao futebol.


Abraços, até a próxima. 



 


terça-feira, 1 de março de 2022

  FUTEBOL

O futebol de campo é jogado com os pés e exige do atleta que ele domine várias competências e responda em segundos de maneira sincronizada, sempre com predomínio de uma determinada capacidade exigida naquele momento. 

O jogo deixou de ser caracterizado pelo tempo total, ou seja, os 90 minutos. O que se exige do atleta é alta intensidade e uma mobilização de fibras capaz de suportar as demandas do jogo, seja no ataque ou na defesa, o atleta tem que se adaptar as transições. 

Treinar pensando no jogo, ou jogar pensando no treino? É uma questão no mínimo clássica, diferente do passado, onde um ser aeróbio entrava em campo para jogar com técnica. No futebol atual, o ser aeróbio se tornou a soma de intensidade, força, potência, agilidade, deslocamentos, inteligência de jogo e uma concentração baseada em pilotos de Fórmula 1.

 Se formos observar o atleta de futebol apenas pela distância percorrida como o número de sprints de alta, média e baixa intensidade, o erro está consolidado. O que se exige, é correr com sentido, para onde irá correr, por que, como correr. A estrutura do jogo determinado espaço no campo.

Apesar das dimensões do gramado estabelecida pela FIFA (105 X 68), o ritmo, a intensidade, vem aumentando, em muitos aspectos tornando o jogo de futebol um embate digno de lutas medievais, como ataque, defesa, contra ataque. Encontrar um modelo de treino adaptado as realidades do jogo é o caminho.

Não é apenas a distância percorrida que varia no decorrer do jogo. O posicionamento, a maneira como se agrupam os atletas para envolver o adversário, faz mais sentido do que simplesmente correr por correr. Correr tendo o controle da bola, além de exigir da capacidade cognitiva do atleta, desenvolve o sentido mais amplo do jogo. O jogo deve ser criativo, planejado, organizado, didático, do ponto de vista estrutural, baseado na fisiologia. Baseado nesse princípio, o treino, de uma forma geral, tem como objetivo aumentar a capacidade de obter energia e utilizar essa energia produzida de forma eficiente. Os efeitos do treino manifestam-se em diferentes níveis que vão desde as adaptações dos vários sistemas e aparelhos, passando por órgãos, tecidos e, por último, pelas células. Todas essas alterações fisiológicas visam dotar o organismo de uma maior capacidade funcional. Isto é, aumentar a capacidade de produzir trabalho.

As concentrações sanguíneas e musculares de variáveis metabólicas produzidas no jogo, como - lactato sanguíneo (mM), glicogênio muscular (mmol/kg-1), amônia (uM), glicerol, variáveis importantes que irão se adequar a dinâmica de jogo, imposta pelo raciocínio lógico. 

O futebol é intermitente e continuo, qual será o predomínio? Depende de como a equipe será treinada e qual será o seu comportamento perante o adversário.

Abraços.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Metodos de entrenamiento de futbol - Entrenador futbol

Foto retirada do Google.

Demandas físicas de um atleta de futebol

SERGIO PICANÇO

Baseados no livro – ANATOMIA DO FUTEBOL, (Donald T. Kirkendall, Ph.D. Manole, 2014) e na MONOGRAFIA de mestrado de José Mário Campeiz (Unicamp, 2001).

Rastrear a distância percorrida por um atleta de futebol durante o jogo, com o incremento da tecnologia facilitou os sistemas de codificação. Foram utilizados com papel e lápis, assistindo a videoteipes, contadores de passos, sistema de GPs, e outros. A obtenção dos dados é trabalhosa e demorada. Aqueles que estudam as demandas físicas do futebol geralmente concordam que a distância média percorrida em um jogo de futebol profissional masculino está entre 9.700 a 13.700 metros. Já na modalidade feminina, as atletas correm aproximadamente 8.000 m, embora haja registros de jogadoras de maio campo cobrindo os 9.700 metros.

Como o futebol é jogado em vários ritmos, a distância é dividida de acordo com a velocidade. A observação geral é que o período entre a metade e o segundo terço do jogo o ritmo é jogado mais lento, portanto mais aeróbio, entre o caminhar e o trotar. O restante da partida ocorre em ritmos mais elevados e mais anaeróbios. As distâncias variam por posição e função tática. Alguns chamam os ritmos mais lentos de intensidade posicional (ir


para o lugar certo do campo) e os ritmos mais rápido de intensidade estratégicas (fazer algo acontecer).

Jogos podem ser ganhos ou perdidos em função de arrancadas estrategicamente sincronizadas, por isso muitas equipes buscam jogadores rápidos, habilidosos do ponto de vista tático, entendendo que a resistência pode ser melhorada com treinamento. Em geral, as acelerações no futebol são de 9 a 27 m, e acontecem a cada 45 ou 90 segundos. A distância total coberta por um jogador profissional em acelerações é de 730 a 910 m, apesar de ocorrerem em partes de 9 a 27 m. Corridas intensas ocorrem a cada 30 a 60 segundos. O tempo entre essas corridas intensas é gasto andando trotando ou ficando parado.

Já foram feitas várias tentativas para descrever as demandas fisiológicas de um atleta de futebol. Um fator básico a se observar é a frequência cardíaca durante o jogo.

Os futebolistas realizam esforços curtos, intensos e decisivos, caracterizados predominantemente por anaeróbios alático com uma concentração lática entre 4 a 9 mMol, sendo o metabolismo aeróbio requerido principalmente nos momentos de recuperação entre os esforços. Uma característica fisiológica crucial de um atleta de futebol é a capacidade de se recuperar rapidamente após cada corrida intensa.

Ejercicios en Circuito Manchester City

sábado, 29 de novembro de 2014

Teste de Capacidade de Sprint Repetitivo

Teste para medir a capacidade de realizar trabalhos de curta duração e de alta intensidade, foi utilizado um teste que consiste em seis sprints de 40 metros (20 + 20) separados por 20 segundos de recuperação passiva.

Este teste foi concebido para medir tanto Sprint repetidos e mudar de direção com habilidade. A confiabilidade (erro tipicamente expresso por um coeficiente de variação), para o melhor tempo de sprint. O tempo e a percentagem de decréscimo significativo tem sido relatado como sendo de 1,3, 0,8, e 25,0%, respectivamente.

DESCRIÇÃO

Os (as) atletas começaram a partir de uma linha, correram 20 metros, tocaram com o pé na linha, e voltaram para a linha de partida o mais rápido possível. Após 20 segundos de recuperação passiva, o (a) jogador (a) de futebol começam de novo. Antes do teste RSA, os (as) atletas completaram o warm-up (aquecimento) composto por: corrida continua de 10 min de baixa intensidade e alongamento dinâmico. Após essa fase, foram utilizados três sprints de velocidade submáxima também como aquecimento. 

Após o aquecimento, cada jogador (a) completou um único sprint na máxima velocidade para quantificar o tempo de referência. Esse tempo foi cronometrado utilizando um sistema de fotocélulas. Ao tempo obtido foi acrescido 2,5% para quantificar o primeiro tiro.

Após a mensuração da velocidade máxima, o (a) atleta tinha 5 minutos de recuperação, para aí sim ser iniciado o teste. O tempo obtido no teste máximo:

6 × 20 m + 20 m tempo médio (s)

1. 6,85
2. 6,98
3. 7,09
4. 7,28
5. 7,37
6. 7,49
Tempo médio:  Somatória dos 6 tempos dividido por 6 = 7,18
Melhor tempo: 6,85 (primeiro)
Diferença estatística
=(7,18/6,85×100) – 100
Diferença percentual do primeiro para o último tempo:
 =104,8–100 = 4,8%

Teste de Capacidade de Sprint Repetitivo


Atleta: Amanda Carolina


Fonte: www.youtube.com

Realização do Teste: Bruno Archiza e Daniela Andaku

sábado, 16 de agosto de 2014

FC INTERNAZIONALE MILANO - Parte 1: Preparazione Atletica Stagione 2012/...

O futebol está globalizado isso não há duvidas. A partir daí, os treinos começaram a ficar muitos próximos, com raras exceções. Com o período curto para preparação, a dinâmica do jogo começou a fazer parte do dia a dia dos atletas. Os estudos estão contribuindo de maneira decisiva para evolução do futebol.



Abraços

Fonte: www.youtube.com



Tá com moral

O Presidente do Bayern de München Rummenigge em recente entrevista falou: "Pep Guardiola é uma Dádiva de Deus". O espanhol é um gênio, é o melhor treinador que por aqui passou. Se o presidente do clube falou, então tá falado.

Rummenigge considera Pep Guardiola como 'dádiva de Deus'


Presidente do conselho diretor do Bayern de Munique não poupou elogios ao treinador da equipe, mas disse que ainda não iniciou negociações para estender o vínculo



LANCEPRESS! - 06/08/2014 - 09:10 Munique (ALE)


"Uma dádiva de Deus", é assim que o presidente do conselho diretor do Bayern de Munique, Karl-Heinz Rummenigge, se referiu ao treinador Pep Guardiola em sua entrevista ao diário alemão "Sport Bild". Entre outros elogios, o dirigente afirmou que o espanhol é um gênio.
- Guaridola é um gênio. Já vi muitos bons treinadores, mas ele é extraordinário. É uma dádiva de Deus - afirmou Rummenigge.


Guardiola - Borussia Dortmund x Bayern de Munique (Foto: Christof Stache/AFP)
Guardiola cheio de moral com a diretoria do Bayern
(foto: Christof  Stache/AFP)


Abraços

Fonte: www.lancenet.com.br

terça-feira, 29 de julho de 2014

Conhecimento Científico e Formação



CONHECIMENTO CIENTÍFICO E FORMAÇÃO


O conhecimento científico é uma conquista recente da humanidade: tem apenas 300 anos e surgiu no século XVII. Isso não significa que antes dessa data não houvesse nenhum saber rigoroso. Sócrates preocupava-se com a definição dos conceitos, pelos quais pretendia atingir a essência das coisas, e Platão mostrava o caminho que a educação do sábio devia percorrer para ir da doxa (opinião) à episteme (ciência).

A ciência moderna nasce com a determinação de um objeto científico, específico de investigação, e com o método pelo qual se fará o controle desse conhecimento. Cada ciência de torna uma ciência particular no sentido de ter um campo delimitado de pesquisa.



 

Não conheço o técnico Alemão do Bayern München Sub17 feminino de futebol, mais o seu trabalho está baseado no processo de evolução (corpo e mente) das suas atletas. 

Referência: Psicologia e Educação. Irene Carmen Piconi Prestes; Catarina de Souza Moro. Curitiba: 2010.


sábado, 28 de junho de 2014

Treino de Futebol como Aula!

Se os amigos observarem bem este treino, ele é simples, é um treino de passe e finalização, muito utilizado no futebol. Só quem esta ministrando é José Mourinho e isso faz toda diferença. Quem vê esse técnico à beira do gramado pela televisão, acredita que ele é o melhor. Não estou aqui julgando sua competência, basta analisar as suas conquistas em diferentes países, aliadas a sua imagem imponente, todos irão dizer: “José Mourinho é um vencedor”. É isso que o faz ser diferente, tem a imagem de um vencedor, isto transforma o treino simples em uma aula de futebol.

A normatização do treino depende de quem está no comando. Olhar o técnico e entender que ele é "especial", acreditar nos ensinamentos é um grande passo para melhorar a técnica, tática e dinâmica de jogo. Insisto que observem o treino comandado por José Mourinho, e corriqueiro no futebol. Neste conteúdo exibido no vídeo tem: passe, domínio, cruzamento e finalização. Então qual é a diferença? Um dos fatores foi mencionado no paragrafo anterior, quem está no comando do treino é José Mourinho, e a outra, é a maneira pelas quais os atletas se comportam, decidem, agem, trabalham e executam para melhorar sua produtividade técnica.

 O foco do treinamento é enfatizar o desenvolvimento, visando uma vantagem competitiva. A administração dos treinos é feita através de trocas, ou seja, a comissão técnica tem metas a serem alcançadas, e utiliza os atletas inseridos no processo de competição para realização dos planos. E por outro lado o atleta está em busca da satisfação pessoal, uma troca de mais valia.
Nenhuma equipe organizada pode funcionar sem um nível de comprometimento, por isso sempre existem teorias sobre motivação, para estimular o comportamento dos atletas e obter sucesso nas competições. O treinamento foi criado com o objetivo de aprimorar o atleta a adquirir eficiência nas ações presente durante o jogo, através de movimentos sincronizados, onde o prazer está em jogar com desenvoltura, fazendo a equipe emergir.





Fundamental para a eficácia do processo de treinamento e desenvolvimento é o levantamento das necessidades dos atletas. Ele tem por objetivos diagnosticar o atual estágio das competências como: conhecimento sobre jogo, as técnicas que envolvem o jogo de futebol, as habilidades, neste aspecto não só a habilidade de driblar.

O treinamento deve ter um formato educacional, o campo de futebol deve ser visto como uma sala de aula e as várias matérias em questão devem ser estudadas e aprimoradas. As situações do jogo são lições (exigências do jogo). A montagem do microciclo semanal deverá conter exercício de tomada de decisão.


Durante o decorrer do treinamento deve ser utilizada uma didática simples onde os alunos atletas sejam capazes de processar as informações, interpretar entender e responder de maneira simples, onde o treino se torne qualitativo. Este curso de futebol em longo prazo tem só um significado: “qualificar o atleta”. Para tanto é necessário criar e desenvolver uma cultura favorável ao aprendizado e comprometida com as mudanças do esporte.

O importante é compreender que, seja qual for o foco utilizado, o treinamento e o desenvolvimento serão fundamentais para a crescente busca da excelência.

Abraços
Fonte: 
www.youtube.com

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O que é eternidade?

Eternidade é um conceito filosófico que se refere no sentido comum ao tempo infinito; ou ainda algo que não pode ser medido pelo tempo, porquanto transcende o tempo. Se entendermos o tempo como duração com alterações, sucessão de momentos, a Eternidade pode sim ter uma duração com alterações e sucessões.

Esta pequena introdução se refere à seleção Espanhola. A Copa do Mundo é disputada a cada 4 anos, esse tempo foi determinado pela entidade máxima do futebol, a FIFA.  Desde 2008 a seleção Espanhola vem assombrando o mundo com um futebol de encantar. Chegou ao ápice em 2010 com a conquista da Copa do Mundo na África do Sul. Pois bem, de 2010 até 2014 se passaram os mesmos 4 anos. A equipe pouco mudou, os principais atletas permaneceram: Casillas, Piquet, Sergio Ramos, Alba, Sergio Busquet, Xabi Alonso, Xavi, Iniesta, Villa, Fernando Tores, Cesc Fabregas, Davi Silva, Pedro, a base, remanescentes de uma época de ouro. Para muitos a mais brilhante seleção Espanhola de todos os tempos.
 E por que o tempo foi tão cruel com esses atletas? A maioria dos atletas joga no futebol Espanhol, a seleção continua tendo a base de Barcelona e Real Madrid. Se a equipe do Barcelona não conseguiu vencer na temporada 2013/2014, não se pode dizer o mesmo do Real Madrid, foi campeão da Copa do Rei da Espanha e conseguiu o título mais emblemático: campeão da Champions League 2014.

Uma imagem é melhor do que mil palavras
Sneijder e Robben vibram. Casillas desolado.

Neste mundial disputado no Brasil, a seleção Espanhola em alguns momentos demonstrou apatia, displicência, cansaço, típico de uma equipe desgastada, que quer descanso. Essa mesma apatia, displicência e cansaço a equipe do Barcelona apresentou nos campeonatos que disputou. Se observarmos a escalação do Barcelona faz referência à seleção Espanhola. Então, quantos atletas do Barcelona são titulares ou começaram jogando contra a seleção Holandesa. 1) Piquet; 2) Alba; 3) Sergio Busquets; 4) Xavi; 5) Iniesta; 6) Pedro entrou no jogo e 7) Cesc Fabregas entrou no jogo, ou seja, começou com 50% e terminou com 70%.

Posso estar equivocado em minha analise, o cansaço estava evidente em cada ação dos atletas. Alguns falaram em pouco tempo de preparação, falo em síndrome de overtraining e supertreinamento.   Estas síndromes ocorrem quando o atleta faz mais exercícios do que seu corpo é capaz de se recuperar. As consequências, no entanto, vão da ordem muscular, passando por problemas nas articulações, e resultam em malefícios ao sistema imunológico e ao aspecto psicológico do atleta. O overtraining tem incidência a médio e longo prazo, e implica em problemas das mais diversas ordens, como insônia, lesões agudas e crônicas, o sistema hormonal se desequilibra, irritabilidade, diminuição do desempenho e alteração da pressão arterial. 

Uma das consequências de treinar e jogar sempre com intensidade alta é a ocorrência de mudanças na funcionalidade do hipotálamo. Assim quando o hipotálamo não consegue reagir adequadamente ao estresse imposto ao organismo, resulta em disfunção neuroendócrina com consequente mudança no comportamento do atleta (Urhausen et al.,1995).
A literatura alemã reconhece dois tipos de supertreinamento: a) simpático e; b) parassimpático. No primeiro caso, a atividade do sistema nervoso simpático é aumentada, enquanto no segundo, é a do parassimpático que se eleva. O tipo I de supertreinamento é observado com frequência em esportes envolvendo grupos de atletas de esportes coletivos como: futebol, handebol e basquete por exemplo. O do tipo II é mais comum em atletas especialistas em provas de longa duração como maratona (Lehmann et al.,1998).

Problemas que afetam os atletas:

ü  Perda de condicionamento físico com perda de força e resistência;
ü   Dor muscular persistente;
ü  Sensação de fadiga crônica;
ü   Elevação significativa da frequência cardíaca em repouso (este é um sinal bem típico);
ü   Mudança de humor com quadro de depressão e irritabilidade;
ü  Queda da resistência imunológica;
ü   Perda da qualidade do sono.



Uma das formas de tratamento é a redução do treino e competição. Com relação a este paragrafo, faço uma pergunta. Uma equipe como o Barcelona pode se dar ao luxo de abrir mão de seus principais atletas? Durante a temporada regular tem: Super Copa do Rei da Espanha, Campeonato Espanhol, Copa do Rei da Espanha e Champions League. Sendo necessário disputar essas competições ainda viu esses atletas disputarem as eliminatórias para Copa de 2014. Nas competições principais tem como adversários são: Real Madrid, Atlético de Madrid, Borussia Dortmund, Chelsea e outros. E na sequência tem a Copa do Mundo que está sendo disputada no Brasil. Um calendário desumano que não me deixa duvidas sobre o dilema que esses atletas estão enfrentando.

Outro detalhe importante – Dos 4 atletas que jogam no meio campo da seleção Espanhola, 3 tem idade acima dos 30 anos. Todos tem uma genética privilegiada para jogar futebol tecnicamente.
A seleção Holandesa possui 3 atletas com 30 anos. Sneijder continua a jogar um futebol técnico apesar do declínio físico aparente. Não possui a mesma dinâmica apresentada na Copa de 2010 disputada na África do Sul. Van Persie e Roben também têm 30 anos. Só que esses dois privilegiados geneticamente. São rápidos, fortes e habilidosos. Levaram nítida vantagem sobre Piquet e Sergio Ramos. Possuem força, velocidade, resistência, agilidade, coordenação, habilidade e técnica. Todos esses itens ficaram evidentes no segundo gol de Robben, um espetáculo, um gol inesquecível para os amantes da nobre arte.
Esta Copa está sendo notabilizada pela juventude, seleções mais jovens conseguem se defender e atacar com a mesma desenvoltura.

Abraços
Fonte: 
1. www.youtube.com
2. Compreendendo a BARREIRA do Rendimento Físico. Benedito Pereira e Tácito Pessoa de Souza Jr. São Paulo: Phote, 2005.